Brega Calypso - Um Ritmo da Amazônia Caribenha Pai-Dégua Demais (CARLOS ALBERTO DE AGUIAR)



Carlos Alberto de Aguiar
Pesquisador Musical

Qual a origem do Brega como gênero músical ? E do calypso ? O brega e o calypso são ritmos originários no Estado do Para? Não.

A origem da música paraense se deu através do batuque trazido pelos negros, utilizado nas festas e cerimônias africanas. Depois aconteceu à entrada do violão, das modinhas, da guitarra portuguesa, dos fados e de uma série de músicas pertinentes à coroa, no Século XVIII. O tripé cultural do Pará e o mesmo do resto do Brasil o índio, o negro e o branco.

O carimbó e originário das batidas dos tambores vindo da Tribo dos Tupinambás que foram adaptados pelos negros e pelos caboclos, se transformando no carimbó.

O carimbó e um atabaque, um tambor que era usado no batuque, uma dança trazida da África. É fruto de uma cultura indígena, portuguesa e negra. Essas influências se misturaram resultando no nosso carimbó.

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A lambada ‘Pode ser classificada como uma espécie de carimbó de vanguarda, contemporâneo. Para o crítico músical Tinhorão, a lambada foi um produto inventado, que não passa de puro carimbó.

O termo lambada, era expressão usada pelos radialistas paraenses Paulo Ronaldo e Haroldo Caraciolo, em seus programas na rádio. Usavam para anunciar uma música de ritmo quente, bem dançante, principalmente quando iam tocar um merengue. Era costume dizer: “- Agora vou tocar uma lambada pra vocês”.

Mestre Vieira, ao introduzir suas guitarras numa fusão com o carimbó de pau e corda com o merengue, foi quem batizou o novo ritmo da guitarrada de lambada. A lambada é definida pelo músico paraense Manoel Cordeiro, como um ritmo genuinamente mestiço, produto da fusão do merengue caribenho com o carimbó e o lundu do Pará, desembocando em várias vertentes.

Parafraseando o paraenssíssimo poeta Rui Paratininga Barata, a lambada é na verdade a vertigem, a ardência, a caliência da pimenta no prato e da cachaça, pensamento este compartilhado pelo Manoel Cordeiro e que eu particularmente assino embaixo. Nossos músicos paraenses ao criarem uma nova batida para as músicas românticas, tomado-as mais dançante a dois, preferiram apelidar o resultado da fusão de ritmos de calypso, ao invés de criarem ou inventarem um rotulo que identificasse a nova batida do ritmo, como foi feito com a lambada.

Hoje, o brega está consolidado designando como gênero músical a música popular romântica, principalmente a dançada a dois, bem agarradinho, no vai e vem no compasso de um pra lá e dois pra cá. O brega já foi chamado de cafona (expressão muito usada pelo Carlos Imperial), e que durante o movimento da Jovem Guarda foi quem mais produziu ídolos do estilo já denominado a partir daí de brega. Por ser um ritmo que no Pará sofreu influências de ritmos como o merengue, salsa, rumba, bolero, e que costumo dizer que o nosso bregalypso é um ritmo da Amazônia Caribenha Pai-D’égua Demais.